Geraldo Edson de Andrade - 1999.

Para a exposição no Espaço Cultural 508 SUL - Secretaria de Cultura, Brasília, DF.

“A escultora Stella Mariz preparou-se durante muitos anos para mostrar sua potencialidade num dos meios de expressão de maior densidade: a escultura.
 

Quando falo de preparo, digo estudos.  Pois não acredito somente no talento pelo talento.  Que existe, é claro, mas quando aliado ao dia-a-dia do aprendizado, da troca de informações, do estudo da técnica, enfim, que antecede a emoção.  Para isso, Stella Mariz enfrentou inúmeros cursos no Brasil e no exterior, como os que realizou nas cidades de Nova York, Alexandria (Virginia) e Baltimore, todos nos Estados Unidos.
 

Tudo isso tem a ver com a sua formação e sua vocação nata para a obra tridimensional.  Esculpindo há vinte e três anos, sempre sentiu-se atraída pelo corpo humano e essa familiaridade com a forma anatômica é uma de suas características que mais atrai o olhar do espectador diante de seu trabalho.  Stella Mariz esculpe a figura humana, sim.  Homens e mulheres entrelaçados enquanto juntos, amargurados quando sozinhos, numa simbiose de impacto e, na verdade, como essências da própria sociedade onde vivem e atuam.  Nada é gratuito nessa retratação.  Optando por uma linguagem expressionista, ela vai, ou tenta ir, ao âmago do drama de cada um dos seus personagens, captando-lhe o gesto dramático da sobrevivência que não está somente no exterior e, sim, no seu interior, como se a artista os tivesse desnudando nesse seu ato de criação.
 

Uma boa escultora — e Stella Mariz indiscutivelmente é — procura nos materiais um meio de maior expressividade para transmitir sua mensagem. É o que ela faz usando ora o bronze, ora a resina de poliester, empregando nessa última pátinas de tonalidades escuras, às vezes tentando iludir o olhar arguto do espectador, mas atraindo-o substancialmente para aquilo que mais a fascina: os conflitos interiores.  Nenhuma de suas peças nos parece gratuita porquanto tem muito a ver com o mundo que as cerca.”

 

Presidente Honorário da Associação Brasileira de Críticos de Arte.